domingo, 4 de outubro de 2009

Como sou ingrato

Certa vez acreditei ser a tristeza o combustível dos poetas.

Na solitude, emergido em lembranças do passado e instigado por palavras de Tempo Algum, vejo-me como um aprendiz querendo poetizar.

Pensando eu ter me tornado quem imagino ser algum dia, encaro-me desnudo de toda mágoa e de qualquer orgulho.
Miro um futuro inundado em calma e banhado em magnitude divina, alimentado pela paz impertubável e pela fé inabalável.

Pensando eu ter fé, cai na escuridão
Pensando eu ter coragem, recuei no susto
Pensando eu ser forte, tombei na arrebentação
Pensando eu, meu caro, ser protegido, deixei o cadeado aberto

Enxerga-me-ei, mas alcançarei?
Benzer-me-ei, mas serei purificado?

O que vale mais? O barro ou o ouro?

De que me serve jóias de barro?
Para onde corro? Estarei insano? Por que não obedeço à minha própria vontade?
Está a mula dominando seu dono?
Onde estará o chicote e todo o adestramento realizado?

Uma mente brilhante disse "um homem só é ninguém".

Por que ainda regressar em memórias que levam a lugar nenhum?

Sentirei fome de barriga cheia?

Como sou ingrato!

Um comentário:

V! Scheiner disse...

A-DO-REI! Quem diria vc com veia poética! Não importa que sentido pra você tenham, o que importa é se expressar de forma plena...

bjs e saudades! ;)